sábado, 5 de janeiro de 2013

caminho para a felicidade


Parte 26
Acordei sentada num banco igual ao da minha fotografia com o meu pai. Olhei à volta e tudo parecia como antes, a casa parecia que estava outra vez igual a quando eu tirei a fotografia naquele sítio. Tinha tantas saudades daquilo, daquele cheiro. Ali foi o último dia em que me senti realmente feliz e bem comigo mesma. 
Sinto uma presença ao meu lado, olho e é ele! Não queria acredita naquilo que estava a ver, era o meu pai. Estava vestido exatamente como na minha fotografia e parecia olhar para o horizonte e tinha um pequeno sorriso estampado na cara. Até que olhou para mim e o sorriso perdeu-se, e deu origem a uma cara depressiva, triste, como desapontado naquilo que via. Mexeu os lábios, mas eu não conseguia ouvi-lo, ele continuava a falar, e eu apenas ouvi murmúrios como que ao fundo de um túnel, mas sem realmente entender o que dizia. Decidi falar.
Inês
: Desculpa...
Ele parou de falar e começou a apreciar a minha cara, o meu corpo, o meu cabelo, parecia não reconhecer quem ali tinha. Provavelmente por estar tão magra, e com a pele estragada e o cabelo num nojo. Decidi dizer-lhe aquilo que há tanto queria dizer.
Inês: Pai? Sou eu, a Inês, ainda te lembras de mim? Tenho tantas saudades tuas.
Ele parecia não prestar atenção, olhava novamente para o horizonte.

Inês: Ignorei-te durante anos, quando mais precisaste eu não estava lá, sinto que estás a querer que sinta o que eu senti.
Ele franziu as sobrancelhas, sem nunca desviar o olhar.
Inês: Não mereço. Mas sinto mesmo a tua falta. Desculpa-me, por favor...
Ele, finalmente olhou-me.
Pai: Quando te tornas-te tão transtornada?
Inês: (...)
Pai: Quando te tornas-te tão depressiva e porque é que eu não reparei?
Inês: Não estavas presente quando deixei tornar-me nisto.
Pai: Devia ter-me apercebido, como não percebi? Como deixei que isto acontecesse? Inês, como deixei isto acontecer?
Ines: Pai, não te sintas assim. Eu sou a culpada disto tudo.
Pai: Devia proteger-te, sempre.
Ele parecia não me ouvir.
Pai: Como deixei que te tornasses nisto? Que fizesses isto a ti mesma?
Inês: Pai, eu sou a única culpada disto, pára, por favor.
Pai: Estava demasiado ocupado com o trabalho, os teus irmãos, parecias estar bem. Mas, afinal... Tens que melhorar, Inês.
Já não parecia o meu pai a falar, agora a voz dele pareica tornar-se mais fina. Tudo parecia estar a clarear, e a desaparecer.
Inês: Pai? Pai, não vás.    

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